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Curiosidades

Conheça uma barriguda


Publicado em: 18/12/2014
 

História Natural. A Corografia Bahiense descreve a Barriguda do seguinte modo, p. 77: “Barriguda ou árvore de lã, é mais grossa no meio do que junto ao chão, tem a casca coberta de espinhos redondos, as folhas têm 3 ou 4 polegadas de comprimento e em número de cinco, juntas na extremidade, de um pé comprimento. Sua flor começa com a figura de um figuinho redondo, liso, sem olho, com um pé curto e grosso. Este figo toma o comprimento e a forma de um pequeno limão, sempre de cor verde e sem olho. Depois abre na extremidade em três partes e brota como um capucho de algodão roliço e comprido, de três polegadas de comprimento e mais de uma de largura na cabeça, lisos pela face superior e vermelhos do meio para baixo, brancos matizados de uma outra cor, um na cabeça que é redonda * pela face exterior de um pelo comprido branco, quase enrolando-se, cobrindo o capucho. Tem cinco estames ou filamentos, em volta de um pistilo que é muito mais delicado, e termina em uma bolinha encarnada.

Todas as seis pegadas a um receptáculo no fundo do cálice, onde se forma um fruto com alguma semelhança de pepino que abre, e está cheio de lã branca finíssima, que é preciso apanhar logo, se não o vento leva. Serve para encher colchões e travesseiros e talvez pela indústria ainda se possa fiar”. Mr. A. St’ Hillaire tem observado a Barriguda no meio das caatingas perto do rio São Francisco, e Martius e Nees descreveram o que se encontra em outras partes de Minas Novas. O Príncipe Max. Neuwied, que o observou nas matas vizinhas do rio Belmonte, diz que é árvore de uma gigantesca dimensão.

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O seu tronco é delgado junto à terra e, ao cume, torna-se logo aumentado de grossura no meio. Existem muitas variedades de Barrigudas: uma tem a casca lisa, unicamente pouco enrugada; outra tem a haste guarnecida de espinhos curtos e fortes; as folhas são solitárias, no cume são pouco frondosas e acham-se em forma de palmas. Em algumas variedades, elas são com dois ou três lóbulos ou bem inteiras. As flores são grandes, belas, de cor branca, caem quando murchas e cobrem o solo (Viagem no Brasil, t.2, p.160).

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Segundo Descourtilz, os pós da raiz são favoráveis para curar o tétano. Aplicam-se as frutas verdes em cima das artérias temporais para livrar-se de cefaleias e vertigens. O que há de mais certo é que a casca da raiz do Bombax ceiba é vomitiva, e o suco misturado à polpa de tamarindo favorece a expulsão dos vermes e as dejeções alvinas. As flores possuem as virtudes das malváceas, e o cotão das sementes serve para fazer as mochas. O Bombax pyramidal goza de propriedades idênticas: faz-se um xarope com as flores e o suco que equivale ao de goma arábica. A casca em pó misturada com o sumo do limão é um linimento resolutivo, um tópico calmante em contusões e fraturas dos membros. Várias outras propriedades referem-se ao Bombax, todavia devemos nos acautelar, para não aceitar cegamente os elogios que se tributam, de ordinário, em prol de tantas curas.

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   Análise Química. As espécies de Barriguda encerram goma na raiz e uma porção de amido, o qual se dissolve em água e precipita com a galha, que dá uma cor azul ao sódio e torna-se açúcar quando se trata pelo ácido sulfúrico. Todas as partes fornecem uma grande porção de mucilagem.

 

  Propriedades Medicinais. O tronco grosso da árvore é cheio de uma medula mole e suceosa, na qual encontram-se larvas de insetos que os botocudos procuram para comer. Corre um suco resinoso da árvore partida. O botoque, placa cilíndrica de pau que os índios trazem pendurada nas orelhas ou nos lábios inferiores, é feito do tronco das jovens árvores barrigudas, que eles chamam de emburé (A. St´ Hilaire, p.157, t.2). Tiram-se estopa e filamentos do mesmo tronco que servem para redes, cabos e outros objetos industriais.

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O tronco empregado para construir canoas tem pouca durabilidade pela sua falta de consistência. Aublet descreve duas espécies de barriguda, o Bombax globosa e o Bombax  ceiba. O primeiro refere-se a uma das variedades também existentes no Brasil, como se pode facilmente coligir pela descrição (ver Plantes de la Guiane, p. 702. T.2). Esta espécie cresce de 30 pés para mais; o tronco tem um pé e meio de diâmetro; a casca é lisa acinzentada; a madeira é branca e mole, a parte do tronco, privada de raízes, tem 10 pés ou mais de comprimento.

 

Os ramos do cume são extensos e frondosos, as folhas alternas palmadas e compostas de cinco folíolos. As frutas nascem em cachos nas extremidades dos ramos, é uma cápsula esférica, arruivada, marcada de cinco a seis linhas que se estendem da base ao ápice. O casulo abre-se em seis válvulas espessas, cheio de um algodão fino com sementes ovóidas. O Bombax ceiba, chamado pelo Pison Zaomouna o Bombax pyramidal, ambos são descritos pelo Descourtilz na sua Flora das Antilhas. O mesmo assinala três outras variedades, todas elas fornecem um coton fino, como o barriguda descrito pela Corografia Bahiense. Só a cor varia, tendo um deles uma cor vermelha natural (ver Ceiba).

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Fonte: http://www.mast.br/



Conheça como é fabricado um carro de boi


Publicado em: 14/12/2014
 

Hoje em dia quase já não se vê mais os velhos carros de bois, muitos abandonados nas antigas sedes de fazendas. As crianças de hoje não conhecem ou não convivem mais com esse antigo  e ultrapassado meio de transporte de pessoas e cargas.

Veja como é feito um verdadeiro carro de boi.

 



Conheça uma roda de fiar


Publicado em: 24/10/2014
 

A roda de fiar ( ou roca) é o instrumento em que se produz fio de lã ou algodão que será posteriormente utilizado em um tear para confecção de tecido, supõe-se que a roca, como instrumento, foi inventando na India entre 300 e 800 d.C.. Antes disso se produzia os fios à mão e não havia constância na espessura do fio.

 

Algumas notícias sobre a roca: ela ainda é muita usada pelo Brasil à fora, fiando lã e algodão. Existem fabricantes de roca no Brasil em pleno seculo XXI e não são poucos. Os fios produzidos por essas rocas são usados em teares manuais que produzem peças belissímas.

 

Exitem vários tipos de rocas, mas as usadas no Brasil são as de tradição portuguesa desde 1500, uma roca fabricada em 2012 é igual a uma de 1600 e usa o mesmo princípio, mas não são iguais é aqui que entra meu trabalho.

O fuso é uma vareta comprida, roliça e pontiaguda em que se enrola o fio torcido à mão que será fiado, o fio torcido a mão, por exemplo, é um tanto de lã somente lavada após retirada da ovelha e desembaçada, hoje em dia (na verdade a mais de cem anos) não se usa mais fuso, pois a lã é desembaraçada por um instrumendo chamado carda.

 

No Brasil colonial o fuso era de madeira ou nem mesmo existia, se fazia o trabalho do fuso com as próprias mãos, quando na Europa o fuso já era de ferro.roda de fiar1  roda de fiar3 roda de fiar4 roda de fiar5 roda de fiar6



Conheça um monjolo


Publicado em: 24/10/2014
 

Monjolo é uma máquina artesanal tradicional, movida a água, destinada ao beneficiamento do arroz, milho, café.

Ao contrário do que se pensa, o monjolo não é muito utilizado para a fabricação de farinha, uma vez que o peso do braço, que é de madeira, não é suficiente para moer os grãos. Para se fazer a farinha é utilizado o moinho, que atrita os grãos contra uma mó, pedra pesada capaz de reduzir os grãos a pó.

Mais raramente, pode ser usado para socar grãos secos , resultando numa farinha mais espessa.

É formado por uma haste de madeira suspensa de forma que a parte que suporta o pau do pilão é maior que a outra, que termina por um cocho que enche com a água proveniente de uma calha, fazendo assim levantar o pau do pilão. Quando está cheio o cocho, este faz baixar a haste e, quando o cocho despeja a água, a outra extremidade cai sobre o pilão.

Para o habitante do meio rural é comum procurar morar nas proximidades do rio ou riacho, lugar onde haja água. Se ele é plantador de arroz ou milho terá uma das mais prestativas máquinas, o monjolo.



Curiosidades sobre a cabaça


Publicado em: 07/10/2014
 

As cabaças são frutos de plantas rasteirinhas como a melancia, abóbora e pepino. As que são utilizadas para artesanato têm a casca dura e são ocas por dentro.

  Chama-se Lagenaria, filha das Curcubitáceas. É natural da Europa; embora sejam cada vez menos cultivadas, conhecida tambem como abóbora cabaça.

A altura de apanhar a cabaça é importante, pois se ela for colhida fora de hora vai apodrecer. A cabaça deve estar bem madura, com a ramagem bem seca.

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Antigamente, no campo, utilizavam as cabaças para conservar a àgua fresca que os trabalhadores rurais bebiam com satisfação.

Para ser usada no artesanato, a cabaça deve ficar 1 a 2 meses a secar ao sol. Elas são de tamanhos e formatos variados.

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A riqueza da flora brasileira e a criatividade popular encontram neste fruto, com formas tão originais, uma de suas expressões mais fascinantes. Como objeto do cotidiano, suporte de várias artes ou cheio de fundamentos religiosos, pode nos surpreender e emocionar com seus multiplos usos e sentidos, seja no artesanato, na musica, na cozinha, na religião ou nos brinquedos.

Úteis em casa e no trabalho, mágicos nos rituais, próprios pra fazer música e arte, prontos pra brincar, estes frutos são também bons pra pensar. Bons pra pensar o Brasil, as relações dos homens com os meios em que vivem, com os mundos que veem e representam, e os encontros e desencontros destes homens.

Conhecidos desde tempos ancestrais pelos nomes de cabaça, cuia, porongo, coité ou cuité, os frutos de espécies vegetais distintas, mas assemelhadas nos sistemas de pensamento e classificação populares, têm recebido múltiplos usos e sentidos ao longo dos séculos nas cinco regiões brasileiras, perdendo-se na história referências à época e ao local de origem dos cabaceiros (Crescentia lagenaria), porongos (Lagenaria vulgaris) e das cuieiras (Crescentia cujete) no país.

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No cenário cotidiano, como instrumento de trabalho e recipiente para líquidos e alimentos, na música, nos rituais, nas festas e brincadeiras, no artesanato tradicional e nas recriações de artesãos urbanos, entrecascas desses frutos multiformes constituem tanto objetos de uso corriqueiro quanto suportes de expressões que distinguem e identificam indivíduos e grupos da sociedade brasileira, num universo misto de referências culturais. Além disso, dão nomes a cidades, rios, praias, serras e lagoas de Norte a Sul, e estão amplamente presentes na tradição oral no Brasil.

Os Indios tem uma grande influencia no uso da cabaça, como recipiente para água, cuia para servir ou guardar alimentos preparados, pequenas taças de uso ritual e na confecção de alguns instrumentos sonoros: a cabacinha com quatro furos; a buzina, na qual completa o gomo de taquara; no cinto de algodão, sob a forma de sininhos sem badalos que se chocam uns contra os outros, usado na cintura por corredores, amarrado abaixo do joelho ou socado contra o chão pelos cantores.

Em casas ribeirinhas, indígenas e quilombolas do Brasil, os frutos dos cabaceiros, das cuieiras e dos porongos costumam ser partidos em vários formatos, esvaziados do miolo, polidos e, quem sabe, até tingidos e decorados com incisões de exímia precisão, para servir como baldes, coiós, bacias, copos, tigelas; ou como cuias de tomar água, tacacá, chibé e mingau, no Norte, ou chimarrão e teréré, no Sul e no Centro-Oeste. Desses mesmos frutos que são transformados em objetos para comer e beber, também se fazem instrumentos de trabalho de pescadores, seringueiros e produtores de farinha de mandioca, que partem suas bandas de cuia para levá-las aos rios, às florestas e casas de forno.

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No Nordeste, das mesmas cabaças que armazenam e transportam água pelo sertão, cortam-se cuias que são usadas nas feiras como unidade de medida para pesar, comprar e vender itens como farinha e tapioca, além de líquidos. Nelas também se guardam as sementes do replantio, a nata pra fazer manteiga, mel e até peças de roupa.

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O fruto que cura:

Além dos usos das cuias e cabaças como recipientes, registram-se vários outros, de carater medicinal. Desses frutos tudo se aproveita: da casca, preparam-se extratos contra os males do fígado; do miolo, que também serve como ração para o gado, fazem-se xaropes, usados como purgativo, expectorante e antitérmico, ou cataplasmas indicadas contra dores de cabeça.

Consideradas por diversos grupos humanos como elementos dotados de poderes especiais, as cuias e cabaças estão presentes num vasto conjunto de práticas rituais e tradições religiosas, de matrizes indígenas e africanas em especial, amplamente difundidas no Brasil. Inteiras ou cortadas em partes, ocas, preenchidas ou envoltas em palhas e contas, lisas ou decoradas com incisões, todas têm seus donos na Terra e nos outros mundos, e constituem objetos prenhes de significados ritualísticos que só podem ser integralmente compartilhados por iniciados que conhecem ‘o fundo da cabaça’.

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Entre o povo de santo, assim como entre povos indigenas, aqueles frutos chocalham sons que afastam espíritos e influências negativas, quando balançados por determinados agentes rituais, conhecedores das palavras e cânticos apropriados. Nas religiões afro brasileiras, a cabaça é igba, na terminologia nagô, que representa o universo, o masculino e o feminino; o simbolo da união de Obatalá e Oduduwá, o Céu e a Terra; o invólucro mágico das folhas curativas de Ossain, presentes nos assentamentos desse orixá; um item poderoso do azé de Omulu; o recipiente sagrado dos panos da costa, também conhecidos como panos de cuia, das oferendas, como o padê (farofa) de Exu, e de beberagens devotadas a entidades que ligam a terra dos homens ao mundo dos deuses. Em rituais caseiros, as cuias pitingas são preparadas especialmente para os banhos de cheiro, à base de ervas escolhidas por suas virtudes benfazejas, pra “fechar o corpo”  e “abrir os caminhos”.

o fruto do porongo objeto de cuidados especiais e a grande atração das rodas de chimarrão e de tereré. Na forma do numero oito, cortados na parte de cima, furados e polidos com cera, prontos pra receber a erva mate com água morna ou fria, deles se fazem cuias que passam de mão em mão, sempre à direita, como manda o antigo ritual de sociabilidade dos mateadores.