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Saúde

Pílula anticoncepcional masculina diária se mostra promissora em teste humano


Publicado em: 21/03/2018
 

Um dos mais recentes candidatos experimentais a medicamento contraceptivo masculino é um composto que seria tomado basicamente assim como a pílula anticoncepcional diária disponível para mulheres. Um estudo piloto apresentado no domingo (18), durante a reunião anual da Endocrine Society, sugere que o composto — chamado de undecanoato de dimetandrolona (DMAU, na sigla em inglês) — pode ser seguro e eficaz em cobaias humanas.

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Pesquisadores deram DMAU para uma centena de voluntários adultos saudáveis, de idades que iam de 18 a 50 anos. Os voluntários receberam uma de três doses variadas de DMAU e, em uma de duas formulações diferentes, em uma cápsula ou com óleo de rícino ou pó de rícino. Cinco voluntários de cada grupo de dosagem foram randomizados para receber um placebo também. O teste durou cerca de um mês, com cada voluntário recebendo as ordens de tomar uma pílula por dia junto com comida. Oitenta e três homens fizeram o regime completo.

No fim do experimento, os voluntários que tomaram DMAU tiveram uma queda em seus níveis de testosterona e de dois outros hormônios envolvidos na produção de esperma, o que foi mais severo naqueles que tomaram a maior dose. O estudo não testou diretamente seu esperma, já que leva cerca de três meses para níveis hormonais baixos reduzirem significativamente a contagem de esperma de alguém. Mas os pesquisadores dizem que os níveis hormonais vistos no grupo de alta dosagem se mostraram suficientes para prever infertilidade em estudos iniciais de tratamentos de contracepção masculina. Por outro lado, os níveis entre todos os voluntários voltaram ao normal um mês depois do fim da terapia.

“Um grande passo em direção ao desenvolvimento da pílula masculina”, disse a autora sênior Stephanie Page, professora de medicina da Universidade de Washington, durante coletiva de imprensa realizada no domingo. “Ficamos muito empolgados com os resultados que vimos.”

A pesquisa foi uma colaboração entre a Universidade de Washington e a Universidade da Califórnia em Los Angeles.

De acordo com os autores, o DMAU foi projetado para pular as barreiras que bloquearam outras tentativas de fazer uma pílula anticoncepcional masculina. Uma das principais abordagens à contracepção masculina tem sido usar progestina em conjunto com testosterona. A progestina faz com que os testículos parem de produzir testosterona naturalmente, levando a uma baixa contagem de esperma. Porém, embora essa abordagem permita uma infertilidade reversível, tentar entregar testosterona via oral pode ser bem chato.

Tentativas anteriores de produzir uma pílula à base de testosterona exigiam pelo menos duas doses diárias, devido à sua baixa taxa de absorção, e muita testosterona no sistema de uma vez pode causar efeitos adversos como dano ao fígado ou mudanças de humor. Mais recentemente, em 2016, um grande teste clínico de injeção contraceptiva à base de testosterona foi parado prematuramente, depois de alguns homens relatarem sérios problemas emocionais e de um voluntário se suidicar enquanto a tomava (a maioria das cobaias do estudo, é bom apontar, disse que ainda faria o tratamento se ele estivesse disponível).

O DMAU é feito para agir nos mesmos receptores que a testosterona e a progestina (componente sintético usado na contracepção hormonal). Mas ele parece ser mais facilmente absorvido pelo corpo e parece durar mais. Isso, teoricamente, significa que uma única dose por dia (quando tomada com comida) deve causar esterilidade sem levar a outras consequências sérias, dizem os autores.

“A grande mensagem para nós, no campo da pesquisa, é que realmente não houve efeitos ou eventos adversos”, disse Page. “Os homens aguentaram muito bem o medicamento. Não houve efeitos adversos comuns que você tem com medicamentos orais, como náusea, e não vimos sinais de danos no fígado.”

Os poucos efeitos colaterais que a equipe de Page observou foram ganho de peso e níveis menores de colesterol HDL (o tipo “bom”). Mas eles sentem que uma dose ajustada já poderia aliviar esses sintomas. Importante apontar, a pílula não pareceu causar quaisquer outros sintomas duradouros de baixa testosterona. Oito homens no grupo de tratamento relataram, sim, menor libido, mas o efeito se dissipou depois do fim do tratamento.

Porém, por enquanto, os resultados, ainda a serem publicados, são apenas um sinal de esperança. Os pesquisadores estão atualmente no meio de um teste que deve durar pelo menos três meses — um cronograma que lhes permitirá testar níveis reduzidos de esperma. E se o teste passar sem problemas, eles então testariam o DMAU em casais de verdade.

Os pesquisadores estão investigando também uma outra droga contraceptiva oral diária, também aprovada em seu primeiro teste em homens. Ela é baseada em um composto diferente e, de forma parecida com o DMAU, precisaria ser ingerida com comida.

(msn)



Câncer: por que queremos a cura, mas resistimos à prevenção?


Publicado em: 20/03/2018
 

Ouvimos e repetimos a vida toda o sonho das gerações passadas de um dia chegar à cura do câncer. Mas um fenômeno intrigante e – por que não? – incoerente é o fato de que, hoje, temos um método preventivo contra vários tipos dessa doença, e grande parte das pessoas parece não dar importância a isso. Estou falando da vacina contra o HPV – o papiloma vírus humano.

 

Causador do câncer de colo do útero, esse inimigo também é associado aos tumores de vulva, ânus, pênis e boca, além de provocar verrugas na área genital, laringe e ânus. Desde 2014, a vacina quadrivalente contra o HPV está na rede pública para meninas (de 9 a 14 anos). Ela também é oferecida para homens e mulheres de 9 a 26 anos com HIV/Aids e para indivíduos imunodeprimidos (pessoas submetidas a transplantes ou pacientes com câncer, por exemplo).

 

No início desse programa de vacinação, quando a primeira dose foi disponibilizada dentro das escolas públicas e privadas, a adesão foi extremamente positiva, atingindo 100% do público de meninas entre 12 e 14 anos, para quem a imunização foi oferecida naquele momento. Já a segunda dose, que deveria ter sido administrada após seis meses, não contou com a participação das escolas. Resultado: a procura pela vacina nos postos de saúde teve menos da metade da adesão.

 

Atualmente, graças aos esforços do Ministério da Saúde, a adesão à segunda dose entre meninas de 11 e 15 anos incompletos está chegando aos 50%. Mas a procura da vacina para meninas entre 9 e 10 anos e meninos de 11 a 14 anos segue aquém do esperado.

 

Apesar de não haver um estudo oficial sobre as razões que levam os brasileiros a abandonarem o programa vacinal no meio ou a simplesmente não se vacinarem, a vivência em consultórios e hospitais traz informações que nos ajudam a desenhar esse cenário. São, em resumo, três pontos-chave:

 

• De maneira geral, as pessoas até confiam na eficácia e na segurança das vacinas, mas parece que procuram mais os postos quando há campanhas ou surtos de determinadas doenças.

 

• A imunização de crianças e adolescentes parece ter adesão muito maior quando realizada nas escolas.

 

• Há um desconhecimento sobre a importância de vacinação além da primeira infância e a falta de uma cultura de vacinação de adolescentes e adultos. Isso vale para qualquer doença, aliás.

 

O que fazer

Esse cenário aponta caminhos que podem ser trilhados para incentivar a população a se vacinar contra o HPV:

1) Devemos investir em campanhas com mensagens esclarecedoras que passem a dimensão da importância da imunização.

 

2) Precisamos envolver as escolas como apoiadores dos movimentos de vacinação e educação.

 

3) Temos que fazer as pessoas entenderem que a imunização não significa uma liberação para a vida sexual, mas uma grande proteção contra doenças fatais.

 

Na Austrália, que iniciou a vacinação contra o HPV em 2007, diversos estudos demonstraram que os casos de verrugas genitais diminuíram em mais de 90% e as lesões pré-cancerosas de colo de útero em mais de 50% em cinco anos, em relação ao período anterior à vacinação. Um estudo recente, de 2018, neste mesmo país, mostrou uma redução importante das verrugas de laringe (papilomatose recorrente de laringe) após a implementação da vacina contra o HPV.

 

Acontece que, por lá, programa de implantação da vacina quadrivalente contra o HPV foi ostensivo. Ele contou com campanha de divulgação nacional, parceria com governos estaduais e municipais, um esforço conjunto entre profissionais da saúde… e, claro, teve a participação das escolas. O investimento foi estimado em mais de 430 milhões de dólares.

 

Diante dos fatos e referências a respeito da vacina, torna-se quase impossível compreender o que leva qualquer pessoa a não aproveitá-la. O desafio é garantir uma alta adesão às duas doses da vacina contra o HPV. Assim, reduziremos consideravelmente a incidência dos casos de câncer causados por esse vírus, desenhando um novo e positivo quadro no cenário da saúde pública brasileira. Você e sua família fazem parte dessa história.

 

Dr. Edison Natal Fedrizzi, professor Adjunto de Ginecologia e Obstetrícia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), membro do Comitê Nacional de Vacinas da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) e Chefe do Centro de Pesquisa Clínica Projeto HPV do HU/UFSC.

(msn)



Por que é importante deixar as crianças se sujarem ?


Publicado em: 14/03/2018
 

Chegar ao final do dia com a roupa repleta de marcas de tinta, o tênis cheio de areia, os cantos das unhas grudados com massinha, o cabelo molhado de chuva… Se isso tudo parece apenas um cenário de sujeira e mais trabalho para você, saiba que esses são sinais de que o seu filho está aprendendo a explorar o mundo. E, sim, é um processo que, de vez em quando, envolve roupas estragadas e sapatos inutilizados, mas é também algo muito importante para o desenvolvimento infantil.

 

A grande questão, porém, é que com as mudanças na estrutura familiar, bem como a chegada das novas tecnologias, esse brincar que suja e que demanda uma vivência fora de casa parece estar cada vez menos presente na vida das crianças. “A participação da mulher na economia e o fato de ocupar cada vez mais o mercado de trabalho acabou por tirar de cena o padrão da mãe em tempo integral, cujo único objetivo da vida era cuidar da casa e dos filhos. Além disso, como efeito colateral, a relação de proximidade e intimidade entre vizinhos já não encontra tanto espaço para florescer. Ao mesmo tempo, a tecnologia trouxe atrativos que acabam por gerar uma falsa sensação de segurança para os pais, cujos horários de trabalho também já não seguem um padrão como havia nas gerações anteriores”, explica a especialista em aprendizagem Roberta Bento.

 

Ou seja, diante desse quadro – que se completa ainda com as frequentes notícias de violência urbana, que mostram o quanto o mundo “lá fora” pode ser assustador – cada vez mais ficar somente dentro de casa passa a ser o novo normal. “Os pais ficam mais tranquilos e, com o apelo da tecnologia que prende tanto a atenção de crianças e adolescentes, os filhos nem sequer resistem e muitas vezes crescem sem saber quanta diversão e quanto aprendizado perderam ao não explorar a grama, a areia, a chuva, entre outros”, diz a especialista.

 

Deixa sujar© image/jpeg Deixa sujar

 

Mas, então, se o cotidiano do mundo moderno e o contexto em que vivemos atualmente parecem mesmo dificultar atividades que ajudam no desenvolvimento dos pequenos e que demandam tempo e paciência dos pais, o que fazer? Um bom começo é compreender o quanto é importante que as crianças explorem materiais, formas, texturas… Principalmente quando isso é feito com elementos da natureza. O que não quer dizer que os aparatos tecnológicos façam mal – o importante, aqui, é encontrar um equilíbrio. “A tecnologia nos trouxe uma infinidade de possibilidades. Porém, o resultado final só é positivo se ela entra para acrescentar e não para substituir a brincadeira, o concreto, a mão na massa, o pincel na tinta e no papel, os pés na terra e na água e as infinitas possibilidades e descobertas que uma criança pode explorar ao longo de sua infância”, lembra Roberta.

 

Como é cada vez mais difícil que essas atividades aconteçam de forma espontânea, é fundamental incentivá-las – aproveitar férias ou fins de semana para levar os pequenos para brincar ao ar livre, na praça ou no parque, e encorajá-los a se divertir sem se preocupar. Deixar que explorem frutas sozinhos, se lambuzando sem medo. Em casa, separar um cantinho para artes, com materiais e roupas que possam ser manchadas sem problemas. No fim da atividade, sua criança pode ainda desenvolver habilidades relacionadas à organização, como explica a especialista em aprendizagem: “Eis uma excelente oportunidade para ensinar a responsabilidade de limpar e organizar. Desde muito pequenas, as crianças são capazes de ajudar a colocar em ordem aquilo que usaram para se divertir. Esse processo enriquece a memória, que será fundamental mais tarde para que o aprendizado formal corra de forma tranquila. Além disso, é nesses momentos que os pais ajudam no desenvolvimento de habilidades como: senso de responsabilidade, paciência e capacidade de foco e concentração.”

 

Por fim, vale lembrar que a escola também tem um papel fundamental nesse processo – então, na escolha do colégio, é sempre bom perguntar aos profissionais como eles incentivam essas atividades. “O cérebro das crianças funciona como uma esponja durante a primeira infância. São milhares de conexões se formando e de memórias sendo formadas para depois serem usadas como combustível no momento da aprendizagem formal, na escola. Quanto mais a criança experimenta, explora, erra, tenta novamente e encontra o caminho, mais enriquece seu almoxarifado de recursos para enfrentar o mundo no futuro”, finaliza Roberta.

(msn)


Estudo aponta que estresse pode ser contagioso


Publicado em: 13/03/2018
 

Seu parceiro ou amigos são estressados? Então tome cuidado! De acordo com uma pesquisa da Universidade de Calgary, no Canadá, o humor deles podem ser contagioso e afetar seu cérebro.

 

A equipe de cientistas estudou os efeitos do estresse em pares de camundongos machos e fêmeas. Eles removeram um animal de cada par e o expuseram a um estresse suave antes de devolvê-lo ao parceiro.

 

Em seguida, examinaram as respostas dos neurônios CRH, que controlam a resposta do cérebro ao estresse. Os resultados mostraram que o funcionamento dos cérebros do rato estressado e do parceiro foram alterados da mesma maneira.

 

Em entrevista ao site Medical News Today, o responsável pela pesquisa, Toni-Lee Sterley, o grupo descobriu que a ativação desses neurônios fez com que os ratos libertassem um produto químico que eles apelidaram de “feromônio de alarme”. A tese é que o tal sinal seja responsável por alertar o parceiro ou outros membros do grupo.

 

Anteriormente, os médicos acreditavam que essa transferência de estresse era algo que só acontecia com seres humanos.

(msn)



Sarampo: por que a doença voltou no Brasil e como preveni-la


Publicado em: 10/03/2018
 

Oito casos de sarampo foram confirmados em Roraima neste ano e 29 estão sob investigação no Estado

 

O governo de Roraima anunciou na última quarta-feira (7) que oito casos de sarampo foram confirmados no Estado — 29 ainda estão sob investigação. O Brasil recebeu, em 2016, o certificado de eliminação da doença pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS), mas o vírus voltou com a recente chegada de venezuelanos ao país — e, principalmente, graças à baixa cobertura vacinal nos Estados e municípios.

 

“Essas pessoas estão saindo de um país em que o sistema de saúde está falido, onde não se consegue fazer a vacinação de rotina”, diz o infectologista Jessé Alves, coordenador da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI). “As autoridades [brasileiras] de saúde precisam dar suporte para essa população e os brasileiros têm de entender que precisam estar protegidos para interromper essa cadeia de transmissão do vírus”, completa Alves.

 

Alves também traçou um panorama da cobertura vacinal no Brasil: “Ela é heterogênea, mas dados do Ministério da Saúde mostram que a cobertura da segunda dose é em torno de 76%, como média no país — uma cobertura baixa. A meta é chegar aos 95% da segunda dose”, afirma ele.

 

Por ser uma vacina com vírus vivo atenuado, a primeira dose deve ser aplicada em crianças a partir dos 12 meses de vida, e a segunda, a partir dos 15 meses. O Ministério da Saúde recomenda que adultos até 29 anos tomem a segunda dose, caso não tenham terminado o esquema vacinal. Já adultos entre 30 e 40 anos precisam de apenas uma única aplicação.

(veja.abril.)