Powered by WP Bannerize

Saúde

Disforia pós-sexo, a tristeza que toma algumas pessoas após o orgasmo


Publicado em: 07/08/2018
 

As relações sexuais são seguidas, em geral, por uma sensação de relaxamento e bem-estar.

 

Mas, para muitas pessoas, nem sempre é assim.

 

Há quem seja tomado por um sentimento de tristeza, vergonha e ansiedade, sem qualquer motivo aparente, após atingir o orgasmo. É a chamada disforia pós-sexo, também conhecida como tristeza ou depressão pós-sexo.

 

Como o próprio nome sugere, é uma sensação oposta à euforia.

 

“É difícil medir, mas depois do sexo, sinto uma sensação forte de autodepreciação”, conta um homem que participou recentemente de um estudo sobre o tema.

 

Em alguns casos, a pessoa pode ficar irritada e agir de forma abusiva fisicamente ou verbalmente, em vez de compartilhar um momento que supostamente deveria ser prazeroso com o parceiro.

 

Homem e mulher deitados na cama: A síndrome pode afetar não só a pessoa, mas o relacionamento com o parceiro© Getty A síndrome pode afetar não só a pessoa, mas o relacionamento com o parceiro

Sem distinção de gênero

Até hoje, a maioria dos estudos sobre disforia pós-sexo era focada no sexo feminino.

 

Pesquisas mostram que entre 33% e 46% das mulheres já passaram por isso pelo menos uma vez na vida, enquanto um percentual de 5% a 10% afirma ter apresentado os sintomas várias vezes durante o último mês.

 

Na verdade, existia uma crença de que a condição acometia apenas mulheres. Mas um estudo recente revelou que os homens também sofrem com os mesmos sintomas.

 

Mulher deitada e homem sentado na beira da cama: Cerca de 40% dos homens que participaram de estudo disseram já ter sentido disforia pós-sexo© Getty Cerca de 40% dos homens que participaram de estudo disseram já ter sentido disforia pós-sexo

 

Psicólogos da Universidade de Tecnologia de Queensland, na Austrália, entrevistaram 1.208 homens de diferentes países.

 

O resultado mostrou que 41% já sofreram com condição pelo menos uma vez na vida, 20% vivenciaram a experiência no mês anterior e entre 3% e 4% sentem depressão pós-sexo regularmente.

 

“Tenho ataques de choro e crises depressivas após a relação sexual”, diz um dos participantes.

 

“Fico muito envergonhado”, desabafa outro.

 

Segundo os autores do estudo, a experiência dos homens logo após o sexo é “muito mais variada, complexa e com nuances do que se imaginava anteriormente”.

 

Por que isso acontece?

Especialistas afirmam que há diversas causas, como também pode ser uma combinação de fatores.

 

Homem sentado ao lado de mulher: Diante dos sintomas, especialistas recomendam procurar um médico© Getty Diante dos sintomas, especialistas recomendam procurar um médico

 

A disforia pode estar relacionada a um processo hormonal na amígdala neural, estrutura do cérebro responsável por regular nossos sentimentos e emoções.

 

“Durante a relação sexual, a amígdala pode reduzir sua atividade e, depois do ato, é ativada novamente”, diz à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o médico Fernando Rosero, especialista em saúde sexual.

 

Mas o transtorno também pode estar ligado ao estresse psicológico, outras disfunções sexuais ou fatores culturais.

 

“A disforia pode ser ainda produto de uma educação sexual muito opressiva, em que o sexo possa gerar questionamentos ou angústia para a pessoa”, explica Rosero.

 

Seja qual for o caso, os especialistas recomendam que, ao apresentar qualquer sintoma, as pessoas procurem um médico, porque há diferentes tratamentos para a disforia pós-sexo.

 

“O sexo tem que ser uma relação de bem-estar e prazer”, diz o especialista.

 

“Quando algo não permite que isso aconteça, é hora de consultar um médico.”

(msn)



Tem jeito certo de passar protetor solar – e pouca gente sabe como é


Publicado em: 04/08/2018
 

Você já deve estar careca de ouvir que a melhor maneira de prevenir câncer de pele é usando protetor solar diariamente, faça chuva ou faça sol. Mas não é só isso. Um estudo do King’s College de Londres, na Inglaterra, revela que se a quantidade aplicada for menor que a recomendada pelos fabricantes, o produto fornece uma proteção bem abaixo da esperada.

 

A pesquisa contou com 16 voluntários de pele clara, que foram divididos em dois grupos. Após passar um filtro de alto fator de proteção (FPS), a primeira turma recebeu uma dose única de radiação ultravioleta (UV) para simular a luz solar. Eles alternaram a quantidade de loção entre 0,75 mg, 1,3 mg e 2 mg/cm² pelo corpo.

 

Os outros oito participantes foram expostos aos raios UV por cinco dias seguidos – depois de também terem passado o protetor. Nesse tempo, a iluminação foi variando, já que a ideia era replicar as condições de um período de férias ou feriado em lugares ensolarados, como o Brasil.

 

Após realizarem biópsias nos voluntários, os cientistas descobriram que o DNA das áreas que não estavam cobertas foi danificado. Entretanto, o estrago foi menor nas regiões onde havia maior quantidade de filtro, mesmo recebendo altas doses de radiação.

 

Para ter ideia, concluiu-se que, em uma pessoa que aplicou a maior quantidade do produto, os danos causados pela alta exposição aos raios ultravioleta durante cinco dias foram menores que aqueles gerados em apenas um dia com pouca iluminação e sem nenhuma proteção.

 

Apesar de o estudo ter contado com poucos participantes, os resultados são um alerta para o fato de que, mesmo com o filtro solar, só estamos seguros se ele for aplicado corretamente.

 

A maneira certa de passar o protetor

Segundo o dermatologista Murilo Drummond, do Rio de Janeiro, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) já preconiza a quantidade ideal a ser utilizada: 1 colher de chá cheia para o rosto e 3 colheres de sopa para o resto do corpo.

 

“Sempre indico passar o filtro em linhas horizontais e paralelas. Fazendo movimentos circulares, a chance de não espalhar direito é maior”, acrescenta o médico, que é membro da SBD.

 

Ele também recomenda usar boné e roupas com proteção UV e não deixar de passar o protetor nas orelhas. “Ultimamente, temos visto muitos casos de tumores nessa região porque as pessoas esquecem desse local”, justifica.

(msn)



Médico brasileiro busca a cura definitiva do HIV combinando tratamentos e vacina personalizada


Publicado em: 23/07/2018
 

Há seis anos, o infectologista Ricardo Diaz devota a maior parte do tempo do seus dias à solução de um problema global: a infecção pelo vírus HIV. E ele pode estar chegando mais perto da cura, conforme indicam os resultados preliminares de seu experimento, obtidos pela BBC News Brasil.

 

Diaz, que é pesquisador da Escola de Medicina da Unifesp, lidera um estudo que, no último ano, conseguiu erradicar completamente o vírus HIV de duas pessoas soropositivas, segundo os resultados.

 

Agora, elas estão sendo acompanhadas para ver como seu organismo reage sem o tratamento experimental.

 

O estudo ainda não foi publicado, mas será apresentado na íntegra, pela primeira vez, no Congresso Internacional de Aids, o mais importante do mundo sobre o tema, que acontece na Holanda a partir desta segunda-feira.

 

A infectologista Melissa Medeiros, especialista em HIV e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia, diz que a pesquisa é “extremamente promissora” e “traz esperança, acima de tudo”. No entanto, ela afirma que é preciso avançar nos testes para saber qual seria o impacto do tratamento nas pessoas.

 

“Quando se fala de algo assim, as pessoas já acham que a cura chegou. Mas é importante saber que há um tempo de pelo menos cinco a 10 anos até as pesquisas chegarem à população. É preciso bastante tempo até sabermos se a pesquisa será mesmo bem-sucedida e se é segura”, disse à BBC News Brasil.

 

Impedindo a volta do vírus HIV

O tratamento contra o HIV disponível atualmente no Sistema Único de Saúde (SUS) é um coquetel de três medicamentos que inibe o máximo possível a reprodução do vírus no corpo, enquanto mantém o sistema imunológico atuante e protege contra infecções oportunistas.

 

O HIV, no entanto, não é completamente eliminado do organismo, e pode voltar.

 

A equipe de pesquisadores brasileiros fez uma combinação de medicamentos já utilizados em todo o mundo com mais duas substâncias ainda não usadas neste tipo de tratamento e vacinas personalizadas, feitas com base no DNA de cada participante.

 

“É a primeira vez no mundo que alguém experimenta esse tratamento específico que fizemos, e a primeira vez que temos resultados tão positivos na primeira etapa. Estamos dando mais um passo na direção da cura”, afirmou Diaz à BBC News Brasil.

 

Em 2015, um estudo dinamarquês combinou um medicamento usado no tratamento de câncer com o coquetel antirretroviral e uma vacina baseada em DNA e conseguiu eliminar os reservatórios do vírus HIV no organismo de pacientes por alguns meses.

 

Desde então, outros testes do tipo têm sido feitos na Espanha, na Grã-Bretanha, na Noruega, na Alemanha e na Itália, e começam a ocorrer nos Estados Unidos.

 

A primeira etapa do estudo de Diaz – feito com 30 pessoas – foi finalizada. Apenas cinco delas receberam a combinação completa de tratamentos, e entre elas, duas parecem estar livre do vírus, de acordo com os exames. Este grupo deve ser expandido para pelo menos 50 pessoas até o fim do ano.

 

Qual o objetivo do novo tratamento?

O tratamento proposto pelos pesquisadores brasileiros quer chegar à “cura esterilizante”, que é a eliminação completa do vírus, sem a possibilidade de que ele volte a se replicar – algo que atualmente pode ocorrer se o soropositivo para de tomar o coquetel.

 

“Atualmente, nós tratamos a pessoa, o vírus morre, paramos de tratar, e o vírus volta. Isso ocorre porque o vírus continua se multiplicando no corpo da pessoa mesmo com o tratamento eficiente”, explica o infectologista

 

De acordo com Diaz, a cura total de pacientes com HIV enfrenta três grandes obstáculos – o fato de que o vírus continua se replicando no corpo mesmo com o coquetel, que apenas mantém essa replicação baixa; o fato de que o vírus fica latente, ou seja, “adormecido”, e pode voltar à atividade de maneira aleatória; e a existência dos “santuários”, locais do corpo humano onde os medicamentos são pouco distribuídos e o HIV pode continuar se desenvolvendo.

 

“O que fizemos foi combinar tratamentos que pudessem superar todas estas barreiras”, afirma.

Ricardo Diaz: Diaz acredita que, mesmo com vacina personalizada cara, procedimento poderia ser adotado em escala, caso seja comprovado que ele funciona© Arquivo pessoal Diaz acredita que, mesmo com vacina personalizada cara, procedimento poderia ser adotado em escala, caso seja…

Como funcionaram os testes

O estudo foi feito inicialmente em 30 pacientes, divididos em grupos de cinco pessoas. Cada um deles experimentou uma combinação diferente, e o último grupo usou todos os tratamentos em conjunto.

 

Além do coquetel antirretroviral, eles usaram a nicotinamida, ou vitamina B3, um suplemento alimentar que é vendido em farmácias, mas nunca foi usado contra o vírus HIV. Ele “acorda” as células com o vírus latente no corpo.

 

A pesquisa usou também o sal de ouro, medicação usada para tratar doenças como artrite que não chega a despertar as células com HIV, mas as leva a um “suicídio”, explica Diaz.

 

E, para eliminar os “santuários” de vírus no organismo dos pacientes, os pesquisadores desenvolveram, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP), uma complexa vacina personalizada, que faz com que o sistema imunológico volte a reconhecer o vírus dentro do corpo, encontre esses santuários e mate o vírus.

 

“Desenhamos, de acordo com o perfil genético da pessoa, o pedacinho do vírus que seria importante pra despertar o seu sistema imunológico”, diz o infectologista.

 

Nas cinco pessoas do grupo 6, que fizeram o tratamento completo, a quantidade de vírus diminuiu mais do que em todas as outras. E em duas delas, o vírus sumiu completamente das células.

 

“Agora estamos estudando como fazer a interrupção desse tratamento, para ver se elas permanecem sem o vírus por mais tempo. Depois, vamos expandir o estudo.”

 

A cura do HIV está próxima?

O primeiro homem considerado curado do HIV no mundo, o americano Timothy Ray Brown, foi declarado livre do vírus em 2006 após receber a medula óssea de um doador com uma mutação genética rara, que o tornava imune ao vírus.

 

Brown precisou do transplante porque ele tinha leucemia. Em 2008, a doença voltou e ele teve que fazer um segundo transplante de medula. No entanto, continuou completamente livre do HIV.

 

Mas, segundo os especialistas, isso não quer dizer que um transplante de medula resolveria os casos de todas as pessoas que são soropositivas no mundo – cerca de 37 milhões em 2017, segundo a ONU.

 

“Timothy Brown é um caso raro e bastante específico, porque ele teve a sorte de encontrar um doador de medula com uma mutação genética raríssima que faz com que as células de defesa do corpo não tenham um receptor que pode se ligar ao vírus HIV”, explica Melissa Medeiros.

 

“Mas esse tipo de transplante tem um índice de 50% de mortalidade. Não é uma opção terapêutica para todas as pessoas que têm HIV.”

 

Por isso, nos últimos anos, cientistas de todo o mundo têm investido em pesquisas como a feita por Diaz, em que pessoas que já estão em tratamento para controlar o vírus recebem medicamentos extra e uma vacina específica.

 

Exame de sangue vírus HIV: Mesmo com tratamento, vírus pode ficar escondido em "santuários" dentro do organismo, áreas onde o medicamento não chega© Getty Images Mesmo com tratamento, vírus pode ficar escondido em “santuários” dentro do organismo, áreas onde o medicamento…

 

“Ser portador do HIV é viver em silêncio, porque as pessoas sentem que não podem contar para a família nem para os amigos, vivem com medo de novos relacionamentos, de como a sociedade vai aceitá-los no trabalho, etc. A cura ainda pode demorar um pouco, mas é realmente essencial”, diz Melissa Medeiros.

 

Necessidade de investimento na prevenção da Aids

Mas, para a epidemiologista Lígia Kerr, que produz estudos sobre HIV para o Ministério da Saúde, é preciso mais do que um tratamento médico para resolver o problema da Aids no mundo.

 

“Os avanços tecnológicos no tratamento e na cura da Aids são muito bem vindos, mas não são somente eles que vão controlar a situação. Se você tem um tratamento super caro e governos que não estão mais querendo investir na saúde, fica difícil”, disse à BBC News Brasil.

 

É necessário, segundo Kerr, um pacote que inclua prevenção, educação sexual, campanhas com populações mais vulneráveis e tratamento médico, para impedir que o vírus circule.

 

“Alguns pesquisadores como eu não acreditam nesta cura total da Aids, porque alcançar isto não envolve só medicação, mas comportamento, comprometimento com o outro, uso do preservativo, investimento dos governos”, diz.

 

“Tentamos eliminar completamente outras doenças há anos e não conseguirmos. Por exemplo, a hanseníase. É uma doença tratável, mas, se você não tratar todo mundo, não tem jeito. Você ainda terá o bacilo infectando outras pessoas.”

 

Se for bem-sucedido, o tratamento para curar o HIV seria muito caro?

Diaz afirma que uma vacina personalizada para cada paciente soropositivo no Brasil – e no mundo – seria muito custosa, ainda que ele não tenha uma estimativa real do valor gasto em sua pesquisa até agora. Mesmo assim, ele se diz otimista.

 

“Há outras coisas na saúde que são caras, mas, quando viram praxe, são feitas mais rapidamente. Temos vários exemplos disso na medicina.”

 

Mulher trabalhando em laboratório: Em tratamento experimental, cientistas fizeram uma vacina personalizada para cada indivíduo, processo longo e custoso© Getty Images Em tratamento experimental, cientistas fizeram uma vacina personalizada para cada indivíduo, processo longo e custoso

 

Para Melissa Medeiros, o alto custo do tratamento poderia ser compensado em sua escala de produção, caso os resultados finais da pesquisa signifiquem, de fato, uma cura definitiva.

 

“Hoje o governo já comprou algumas batalhas como essa, como a da Hepatite C. O tratamento cura quase que 100% das pessoas, e não é barato. Custa em torno de R$ 100 mil a R$ 300 mil por paciente, mas o Ministério fornece gratuitamente.”

 

A polêmica do estudo feito somente com homens

Para fazer parte do estudo da Unifesp, era necessário que os soropositivos fossem todos maiores de 18 anos e do sexo masculino, o que significa que os pesquisadores ainda não sabem como o tratamento pode funcionar em mulheres. Por essa razão, Diaz admite que foi “muito criticado”.

 

“Não é uma coisa correta fazer essa discriminação. Temos que investigar para todos os indivíduos. Mas tive uma intuição de que, nesse momento, seria mais seguro fazer só com homens”, diz.

 

“Achei que para alguns medicamentos poderia haver mais efeitos colaterais nas mulheres. Mulheres às vezes engravidam e não sabíamos o que essa combinação poderia fazer. Mas já está no plano incluir mulheres na próxima etapa. Como vimos que a associação de medicamentos não causou mal detectável, então ficamos mais seguros.”

 

Segundo o infectologista, tratamentos experimentais contra o vírus HIV geralmente têm 75% de pacientes homens e 25% de mulheres, que costumam ser infectadas em menor número.

 

No entanto, seu estudo deve obedecer a nova diretriz na comunidade científica de ter o mesmo número de mulheres e homens.

(msn)



Gravidez psicológica: especialistas esclarecem mitos e verdades


Publicado em: 19/07/2018
 

Estima-se que uma em cada 22 mil gestações não seja real. Estamos falando da pseudociese, nome científico para a gravidez psicológica. A condição, hoje rara, já foi mais comum. “As mulheres eram criadas para serem mães e, quando passaram a expandir seus valores, a maternidade deixou de ser seu principal objetivo, o que reduziu a incidência da pseudociese”, aponta Renata de Camargo Menezes, ginecologista especialista em reprodução humana e diretora da Clínica Engravide, em São Paulo.

 

 

Mas o quadro ainda existe, é claro. Em 2013, uma mulher foi operada no Rio de Janeiro ao chegar no pronto-socorro apresentando sinais de trabalho de parto. Ao tentar retirar o bebê, a surpresa dos médicos: não havia nada ali e o útero estava pequeno, intacto.

 

 

Isso porque a gravidez psicológica cria uma certeza definitiva de que a mulher está grávida. E nada, nem testes negativos de gravidez, nem ultrassons vazios, abalam essa convicção. Veja a seguir algumas afirmações sobre o assunto e o quanto de verdade há nelas.

 

 

A gravidez psicológica é um desejo intenso de ser mãe

Parcialmente verdade. Não basta apenas querer muito engravidar para passar pelo quadro. “É preciso ter tendências a ter alguma psicopatia que suporte esse delírio e negação da realidade”, explica Gabriela Malzyner, psicóloga mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

 

Por outro lado, a frustração por não conseguir engravidar – e muitas vezes, por não atender pressões externas – podem criar um caldeirão emocional que culmine na pseudociese. É o caso, por exemplo, de mulheres com históricos de abortos espontâneos. “A mulher que revive esse estresse continuamente tem uma probabilidade maior de ser acometida por esse distúrbio grave”, destaca Renata.

 

 

A gravidez psicológica pode fazer o seio produzir leite

Verdade. Isso porque o estado emocional da paciente influencia no corpo todo, incluindo o sistema reprodutor. “Os neurotransmissores envolvidos no estresse podem alterar a produção de hormônios como a prolactina e o LH, que simulam uma gravidez”, explica Renata.

 

A ação da prolactina pode distender o intestino – e fazer a barriga parecer maior – e até fazer o seio produzir leite. O LH (hormônio luteinizante), por sua vez, tem estrutura parecida a do beta HCG, o hormônio produzido pelo corpo da mulher quando a gestação ocorre de fato. Os sintomas podem ainda incluir o atraso da menstruação, sentir movimentos do bebê na barriga e até contrações como as do trabalho de parto.

 

 

O medo de engravidar pode fazer a gravidez psicológica aparecer

Parcialmente verdade. “O medo de estar grávida deve ser diferenciado da pseudociese verdadeira”, aponta Renata. Isso porque o período lúteo, que são os 15 dias que antecedem a menstruação e que, numa gravidez, representariam o momento em que o embrião está sendo implementado no útero, é também a fase da TPM.

 

Ou seja, a mulher também pode apresentar enjoo, inchaço – sintomas típicos da tensão pré-menstrual – e, por conta da tensão, até o atraso da menstruação. Mas, com o exame negativo, a situação tende a passar.

 

 

O teste de gravidez pode dar positivo

Mito. Apesar da ação de alguns hormônios, o beta HCG, que é o hormônio medido nos testes de gravidez de farmácia e sangue, não aparece em circulação nos casos de gravidez psicológica.

 

 

A gravidez psicológica passa sozinha

Mito. Mesmo que tudo indique que não há uma gestação real, a mulher nesta condição não consegue encarar sozinha a realidade. Uma abordagem multidisciplinar deve entrar em cena. “O tratamento exige acompanhamento médico para atestar a ausência da gestação, além do psiquiátrico e psicólogo, que são essenciais para identificar e trabalhar as causas dessa condição”, explica Mariana Bonsaver, psicóloga da Pro Matre Paulista.

 

A psicoterapia também é fundamental para que a mulher mobilize recursos próprios para lidar com seus conflitos. Em alguns casos, remédios são indicados para regularizar a menstruação, interromper a produção de leite e até medicamentos psiquiátricos podem ser prescritos.

O quadro pode impedir uma gestação de verdade

Verdade. “Se há uma alteração nesses hormônios provocada pelo estresse, a mulher pode não conseguir engravidar”, destaca Renata, que lembra que o estresse é uma das principais causas da infertilidade. Ou seja, isso vale mesmo para as mulheres que não desenvolvam uma gravidez psicológica. “Normalmente a ansiedade atrapalha muito a gravidez”, realça Antonio Pera, ginecologista especializado em gestações de risco de São Paulo.

(msn)



Novo estudo diz que maconha medicinal NÃO funciona para dor crônica


Publicado em: 14/07/2018
 

O uso de opiáceos para aliviar dores crônicas debilitantes é um problema, principalmente por conta da dependência que causa nos usuários e as mortes por overdose que já atingiram números tão altos que a questão já é tratada como uma epidemia. Neste cenário, a maconha tem se mostrado um substituto perfeito, causando os mesmos efeitos sem tantos danos à saúde. Agora, novos estudos surgiram para cortar o barato da comunidade científica e mostrar que a solução não vai ser tão simples assim.

 

O estudo liderado pela Dra. Gabrielle Campbell no Centro Nacional de Pesquisas sobre Drogas e Álcool da Universidade de New South Wales mostrou que pessoas com dores crônicas não relacionadas ao câncer que usaram cannabis não tiveram melhoras na dor em comparação com aqueles que não a consumiram no período de um ano.

 

Para isso a pesquisa acompanhou 1.514 adultos de toda Austrália que sofrem de dores crônicas. Os pesquisadores também observaram os diferentes estilos de vida, fatores psicológicos e autoeficácia de dor (a capacidade das pessoas de realizar atividades mesmo com dor). Muitos dos voluntários precisaram recorrer aos opióides. Além disso, aqueles que usavam maconha apresentavam menor autoeficácia de dor e tinham as atividades diárias mais prejudicadas pela dor.

 

A pesquisa não coloca um ponto final na discussão. Os próprios responsáveis reconhecem que é possível que os voluntários que escolheram usar maconha já estivessem mais angustiados com a dor e apresentassem taxas maiores de ansiedade. Também é preciso levar em conta que o estudo foi realizado antes da maconha medicinal ser legalizada na Austrália, o que significa que os usuários precisaram recorrer a formas ilícitas e tiveram acesso a uma erva pior e que não foi projetada especificamente para tratar a dor. Ainda tem muita pesquisa pela frente.

(msn)