Curiosidades

Qual veio primeiro, o OVO ou a GALINHA?


Publicado em: 20/07/2015
 
Essa questão é uma alegoria que transcende sua simples interpretação biológica, podendo ser chamada de paradoxo cíclico de causa e efeito, ou seja, algo de cuja existência depende outra, que por sua vez é a causa da existência de algo, tal como: “O que surgiu primeiro: O Ser Humano ou a Cultura Humana?”Mas interpretando-a de forma mais literal, é curioso que Criacionismo e Evolucionismo apresentam respostas claras e divergentes, diferente do senso comum que normalmente vê a questão como sem solução.

Pela Bíblia, tudo leva a crer que a Galinha, assim como os outros animais ovíparos, passou a existir em primeiro lugar, no ato da Criação, já com a capacidade de botar ovos. Portanto, pelo ponto de vista Criacionista temos a Galinha como antecessora do Ovo.

Pelo ponto de vista Evolucionista, sabemos que ocorreu todo um processo de evolução até que determinados animais que já nasciam de ovos, viessem a se transformar nas aves, incluindo o animal que mais tarde, graças a intervenção humana, viria a constituir em nossa conhecida Galinha. Sendo assim, o Ovo, por ser mais antigo na natureza, antecede a Galinha, e mesmo às aves, os dinossauros e peixes, tendo evoluído simultâneo às espécies como elemento integrante do sistema reprodutor.

Ovos e Galinhas podem render bastante discussão entre Criacionistas e Evolucionistas.

Em palestras do Dr. Duane T. Gish em Brasília, minha cidade, que tive o prazer de acompanhar, o bem humorado criacionista fez uma brincadeira com a idéia do Super Átomo Primordial que seria matriz do Big Bang, chamando-o de “Ovo Cósmico”. Alegando então que ninguém sabe dizer exatamente de onde teria vindo este “Ovo”, ironizou que alguns sugeriram uma “Galinha Cósmica”.

Não sei se outros pensaram assim mas me veio imediatamente a idéia de que chamaram Deus de Galinha. O que poderia até fazer um certo sentido, talvez Deus viva percorrendo o UNIVERSO chocando Universos por toda parte.

Brincadeiras à parte, o que pretendo abordar aqui é na verdade as alegações criacionistas de que não haveriam evidências para espécies transicionais ancestrais das aves. A maioria dos Criacionistas insiste que o Evolucionismo propõe surgimentos bruscos de espécies novas, ou seja, que de repente de um ovo de réptil tivesse surgido a primeira ave, completa, como as conhecemos hoje. Alguns inclusive, num espírito satírico, dizem que deve ter sido um tremendo susto para a mamãe réptil ter tido um filhote ave!

Curiosamente o surgimento das aves talvez seja o capítulo da Evolução mais bem documentado pela evidência fóssil, só perdendo talvez para a evolução Humana. As aves evoluiram, agora já se sabe, diretamente dos dinossauros, como vários fósseis transicionais demonstram, e as descobertas mais recentes que levaram a essa conclusão alteraram radicalmente e em poucos anos o modo como concebemos os grandes “répteis” do passado.

Tomei como base para este texto a brilhante reportagem da Scientific American de Abril de 2003, que apresenta a matéria de capa “Penas de Dinossauros”.

QUE “PENA” PARA SPIELBERG
Se o famoso filme Jurassic Park fosse refilmado hoje de acordo com as novas descobertas teria que sofrer alterações drásticas, principalmente pelo fato que muito provavelmente os dois grandes astros digitais do filme, o Tiranossaurus Rex e o Velociraptor, teriam que ser recobertos de penas!

Quanto ao Velociraptor isso já é praticamente certo. A presença de penas em algumas espécies de dinossauros clareou ainda mais as suas relações com as aves, e a descoberta de fósseis mais recentes permitiu montar um quadro bem mais claro dos estágios evolutivos que levaram ao surgimento das aves.

Antes o Arqueopterix era o melhor exemplo de fóssil transicional entre dinossauros e aves, agora perdeu esse lugar para o Microraptor, descoberto em 2002 na China, e que apresentava 4 asas, ou seja, tinha não só braços mas também pernas aladas.

Mas o Microraptor e o Arqueopterix são apenas dois entre dezenas de exemplos documentados por evidência fóssil de espécies que possuem tanto características de Dinossauros, que ainda consideramos répteis, quanto de aves. Muitas destas espécies eram muito provavelmente dotadas da habilidade de planar, um pré-vôo, assim como o são muitas das espécies atuais mais exóticas encontrados em locais mais remotos do mundo.

Assim, além destes, criaturas como o Sinornithossauro ou o Enantiornithines são o que podemos chamar de Espécies Intermediárias entre Dinossauros (répteis), e Aves. As mesmas espécies intermediárias, ou Transicionais, que os Criacionistas insistem em dizer que nunca existiram.

QUE “PENA” PARA O CRIACIONISMO
Um dos baluartes argumentativos do Criacionismo contra a Evolução é alegar a ausência de fósseis transicionais, ou seja, que representam animais que reuniam características de dois grupos diferentes, no caso, Répteis e Aves.

Pelo Evolucionismo, a Aves teriam evolúido dos Répteis, havendo então uma continuidade entre essas duas classes de animais. Porém, os animais intermediários estão extintos, razão pela qual as duas classes parecem bastante separadas uma da outra. Os répteis seriam a classe mais antiga, tanto que se encontram fósseis de mais de 65 milhões de anos, o que não ocorre com as aves, cujos fósseis são bem mais recentes.

Desde Darwin, previu-se que fósseis destas espécies deveriam ser encontrados, o que confirmaria fortemente a teoria. E aqui está o pomo da discórdia, pois a existência destes fósseis é de vital importância.

A absoluta maioria da comunidade científica não tem nenhum resquício de dúvidas em afirmar que centenas fósseis transicionais incluindo entre répteis e aves já foram encontrados, estudados e catalogados, constituindo confirmação inegável da Teoria da Evolução.

Descobertas recentes feitas na China presentearam os cientistas com diversas espécies intermediárias que permitem agora uma visão muitíssimo mais clara do processo evolutivo

Mas não é assim que pensam os Criacionistas, que simplesmente negam essas evidências com um curioso argumento de Descontinuidade.

O ARGUMENTO DA DESCONTINUIDADE
Havendo ligação transicional entre Répteis e Aves, a evolução é confirmada, mas caso Aves e Répteis estejam isolados, sem uma ligação contínua de espécies entre eles, a Teoria da Evolução ainda não teria sido confirmada pela evidência fóssil. Dessa forma, para evitar admitir a confirmação da Teoria, os Criacionistas alegam que os fósseis encontrados são Aves, OU são Répteis, pertencendo a uma classe ou outra, e não a um estágio intermediário.

É preciso recorrer então aos motivos que levam-nos a classificar as Aves e Répteis de hoje em classes distintas. Vamos citar apenas 3 características de cada grupo.

AVES: Tem penas, são bípedes, tem bico (não tendo dentes, ou tendo dentes minúsculos).

RÉPTEIS: Tem pele escamosa ou rugosa (não tendo penas), são quadrúpedes ou ápodes (cobras), tem dentes.

Não há exemplos vivos que desafiem essa classificação abertamente. Não se conhece aves que andem em 4 patas ou répteis com penas, porém, os fósseis das espécies transicionais claramente reúnem em um mesmo animal algumas destas característias, além de várias outras mais sutis.

O famoso Arqueopterix por exemplo, assim como outras espécies extintas já descobertas, apresenta penas e dentes. Não se conhece atualmente aves com dentes grandes como os do Arqueopterix. Mas algumas destas espécies extintas inclusive apresentam uma curiosa mistura de Bico e Grandes Dentes, bem como escamas e penas.

O Microraptor apesar das penas é claramente quadrúpede, ou ao menos predominantemente, tal como um esquilo, podendo ficar em pé sobre as patas traseiras, mas andando em 4 patas.

E o mais curioso, é que os próprios Dinossauros, apesar de seu nome originalmente significar “Répteis Terríveis”, eram em grande quantidade bípedes!

É claro que o Criacionista tem todo o direito de alegar que todas essas criaturas deveriam ser enquadradas na classe dos “Dinossauros”, que não seriam exatamente Répteis nem Aves. Como analogia frequentemente cita-se o Ornitorrinco, que apesar de ter mamas e bico, não é necessariamente uma espécie intermediária entre Aves e Mamíferos.

Sem entrar no mérito sobre os Ornitorrincos, basta lembrar que esta é uma espécie encontrada num continente bastante afastado da Eurásia e África, onde, como prevê a Teoria da Evolução, as espécies tenderiam a se diferenciar das espécies de outros continentes, percorrendo caminhos evolutivos imprevisíveis.

Porém a maior parte dos fósseis encontrados, bem como répteis e aves do presente, vieram de um mesmo continente, tendo inclusive coexistido durante algum tempo. Além disso, diferente do Ornitorrinco ou da Équidna, há tantos fósseis que misturam caracteristicas de répteis e de aves que é possível ordená-los numa ampla escala transitiva.

Cientistas evolucionistas separaram dezenas de espécies extintas mas com evidências fósseis em 5 Estágios transitivos, onde pode-se notar uma maior presença de características de aves a medida que se avança na escala.

As penas desepenham uma papel importante nessa escala, sendo bastante rústica como um mero cone oco, e similares a escamas, no Estágio 1, onde há exemplares como o Allossauóides, mas se tornando cada vez mais elaboradas até que no Estágio 5, onde está o Arqueopterix, já são bastante parecidas com as penas das aves atuais.

Mas a capacidade sofistmática humana é ilimitada, e razão é meramente uma espada que pode ser usada para qualquer fim. Os criacionistas podem muito bem alegar a hipótese razoavelmente válida de que todas essas espécies estão isoladas umas das outras, tendo surgido separadamente num ato de criação Divina ou mediante Avançada Tecnologia Alienígena Extraterrestre.

Evidentemente, trata-se de uma hipótese não testável, que sempre poderá alegar a descontinuidade não importa quantas fases de transição possamos demonstrar. Esse mesmo argumento poderia alegar que as cores Vermelha e Amarela nada tem haver uma com a outra, sendo fenômenos descontínuos, enquanto outros dizem que elas fazem parte de um mesmo espectro originado da Luz Branca. Se então lhes mostrarmos como prova de que elas fazem parte do mesmo fenômeno, a existência da cor Alaranjada, ele simplesmente dirão que esta á apenas uma outra cor isolada, e se mostrarmos um Alaranjado Avermelhado, bem como um Amarelo Alaranjado, poderão alegar que são outras cores distintas.

Portanto, o argumento da Descontinuidade é um tipo de Tautologia, uma afirmação que se mostrará verdadeira em qualquer situação. Havendo evidências fósseis transicionais ou não, o Argumento funciona do mesmo jeito, havendo níveis de cor intermediário entre Vermelho e Amarelo ou não, não faz diferença.

Poderíamos mostrar um milhão de espécies intermediárias cronologicamente ordenadas entre o Euornithes, possivelmente a espécie transicional do Estágio 5 mais próxima de aves atuais, e um Tucano, que aliás é um tanto parecido. Mas não importa! Os Criacionistas simplesmente alegarão que são um milhão de espécies isoladas que não tem qualquer parentesco umas com as outras.

Não importa que mostremos que o DNA de cada uma dessas espécies é progressivamente similar. Eles podem alegar que espécies similares teriam DNAs similares porque Deus usou um padrão similar de criação, ainda que os DNAs compartilhem também falhas e lixo genético inúteis.

Não importa que mostremos um gradiente de mil cores entre o Vermelho e o Amarelo, como forma de demonstrar que todas fazem parte da mesma matriz de luz. Eles poderão alegar que são mil cores distintas que vêm de matrizes diferentes.

UM OVO DURO DE QUEBRAR
A máxima Criacionista de que jamais foram encontrados fósseis para confirmar a evolução é, SEM SOMBRA DE DÚVIDA, a mais gritante de todas as inverdades. Não só já foram achados inúmeros fósseis de espécies transicionais, como continua-se achando todos os meses, como as leituras de DNAs residuais ajudam a esclarecer a ligação entre essas espécies.

Mesmo assim os Criacionistas continuam a afirmar incansavelmente que jamais foram achados tais fósseis, é uma idéia fixa e insensível a qualquer argumento ou evidência. O motivo é até compreensível, pois cultivar essa ilusão é vital para eles.

A evidência fóssil é provavelmente a maior de todas as evidências da evolução, ela demonstra pouco a pouco os ramos perdidos da árvore evolutiva da vida, e fornece indicações de onde e como procurar novas pistas. Se dobrarmos a quantidade de evidências fósseis, o que é quase certo que irá ocorrer, é bem provável que a maior parte de todo o processo evolutivo ocorrido na Terra fique esclarecido. Com os avanços nos métodos de leitura do DNA, não demorará muito até conseguirmos traçar um desenho ainda mais preciso de como a vida se desenvolveu.

Mas nada disso irá mudar a opinião dos Criacionistas, eles estão encerrados numa visão de realidade determinada pela sua interpretação literal da Bíblia, recheada de apelos a eventos que não podem ser jamais verificados e que jamais deixaram vestígios. Vivem num mundo particular, restrito, e tão limitado quanto um Ovo, de couraça indestrutível a qualquer forma de evidência ou argumento.

Protegidos pela casca do argumento tautológico e infalseável da descontinuidade, eles podem viver tranquilos em seus domínios teológicos e quem sabe felizes em seu universo de poucos milhares de anos, na maioria dos casos, onde a própria história tem data marcada para terminar.

Quem quiser entretanto, pode sair de seu ovo, e descobrir um Universo muitíssimo maior, de bilhões de anos-luz de distância, com um futuro ilimitado pela frente, e abrindo as asas da mente, voar pelos ares do conhecimento e das possibilidades.



Você conhece esta raridade?


Publicado em: 08/06/2015
 

O chuchu (Sechium edule) é uma hortaliça-fruto, ou seja, um vegetal da categoria dos frutos; também é conhecido como machucho, caiota (Açores) ou pimpinela (ilha da Madeira). Existe em abundância na ilha da Madeira, principalmente junto aos cursos de água (ribeiras e nascentes). Em países latinos é conhecido como Chayote, enquanto em países de língua inglesa é conhecido por christophene, vegetable pear, mirliton, choko, starprecianté, citrayota, chow chow (India) or pear squash.

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Apesar de ser uma hortaliça, ou seja, poder ser cultivada na horta caseira, é considerada um fruto, tal como o tomate (devido ao fato de suas sementes estarem dentro, resultado da fecundação do óvulo da flor, envolvidas pela parte comestível).

 

História

Sua origem é atribuída à América Central em países como Costa Rica e Panamá. Foi registrada pela primeira vez pelo botânico Patrick Browne em 1756.

Segundo alguns historiadores, essa hortaliça-fruto já era cultivada no Caribe à época do descobrimento da América. É uma trepadeira herbácea da família das cucurbitáceas.

Era bem conhecida na antiguidade pelos astecas e tinha grande destaque entre as demais hortaliças cultivadas na época, devido ao seu sabor característico e bastante suave, podendo ser consumido durante o ano todo. De fácil digestão, rica em fibras e pobre em calorias, bom para um regime alimentar.

Na Madeira, é conhecida por pepinela ou pimpinela e faz parte da gastronomia local, sendo normalmente cozida com feijão com casca, batatas e maçarocas de milho para acompanhar pratos de peixe, normalmente caldeiradas.

Nutrientes

Destaca-se por ser uma fonte de potássio e fornecer vitaminas A e C. O chuchu é uma Cucurbitácea, tal como o pepino, as abóboras, o melão e a melancia.

Do chuchu nada é desperdiçado: pode-se consumir as folhas, brotos e raízes da planta, depois de devidamente lavados. Os brotos refogados são ricos em vitaminas B e C e sais minerais como cálcio, fósforo e ferro.

 

Variações

Possui uma grande gama de frutos quanto à forma, tamanho e cor. Estes podem ser arredondados ou terem a forma de pêra, mais comumente encontrada nas feiras e quitandas.

A casca pode ser lisa ou com espinhos, conforme a espécie, sua cor varia do branco ao verde bem escuro. No mercado há preferência pelos frutos de casca verde-clara, sem espinhos, com tamanho de 12 a 18 cm de comprimento (fruto graúdo) e 7 a 10 cm (fruto miúdo). Os frutos quando passados apresentam a casca sem brilho e amarelada e com a ponta mais larga começando a se abrir. Por ser um fruto muito frágil, machuca-se com facilidade e a casca escurece rapidamente quando danificada, portanto deve-se escolher os frutos com cuidado, evitando de ferí-los.

Pode-se encontrá-lo já descascado, cortado em cubos e embalado com filmes de plástico, ao natural ou pré-cozidos em mercados e locais de grande acesso público.

Conservação

Sempre deve-se certificar de que esse produto esteja exposto em gôndolas refrigeradas para garantir a sua adequada conservação, pois quando mantido em condição ambiente, estraga-se rapidamente. Os melhores preços de chuchu ocorrem entre os meses de junho a outubro.

Plantação de chuchu nas Ilhas Reunião

Para conservá-lo, deve-se mantê-lo em condição ambiente entre 3 a 5 dias depois de colhidos, pois murcham muito rapidamente. Podemos conservá-lo por maior tempo entre 6 a 8 dias, na parte de baixo da geladeira, embalados em saco de plástico, caso contrário queimam-se com o frio pois são sensíveis a temperaturas baixas. O produto já descascado e picado conserva-se por até 3 dias após seu preparo, desde que mantido embalado em vasilha tampada ou em saco de plástico, na gaveta inferior da geladeira.

Para consumi-los não se deve comê-los crus, pois são duros para mastigar e quando os cortamos e o descascamos crus, deve-se fazê-lo em baixo de água corrente pois estes têm um líquido que gruda nas mãos. Podem ser cozidos e refogados, pode-se transformá-los em cremes, sopas, suflês, bolo ou salada fria. Para consumo como refogado ou salada, deve-se escolher os frutos mais novos e menores e com casca brilhante.

Quando os frutos estão maduros, com a parte de baixo se abrindo, são excelentes para a elaboração de suflês, pois são mais consistentes e têm mais fibra. A casca pode ser removida antes ou após o cozimento. Quando os frutos estão bem novos podem ser consumidos com casca e miolo.

Doenças

O fungo vassoura-de-bruxa já foi encontrada no Rio de Janeiro, São Paulo, Pernambuco, Minas Gerais, Paraná e mais recentemente no Espirito Santo causando extensos prejuízos aos produtores. Variações dessa doença também afetam o cacau, a batata-doce e o amendoim. Ainda não se sabe a causa mas suspeita-se de insetos transmissores. Como os frutos contaminados são facilmente visíveis e assim evitados não há riscos significativos para a saúde humana.

Fonte: http://pt.wikipedia.org



Brasileiro de 126 anos pode ser o homem mais velho do mundo


Publicado em: 20/05/2015
 

Ele é ex-trabalhador rural e vive em um abrigo no interior de SP.  Sem documento, idoso tirou uma certidão em que diz ter nascido em 1888.

 

O homem mais velho do mundo pode ser um brasileiro que vive em Bauru, no interior de São Paulo. Ele é um ex-trabalhador rural que diz ter 126 anos. José Aguinelo caminha sozinho e não precisa de ajuda para se alimentar. Depois das refeições, não dispensa um cigarrinho. Ele nunca se casou, nem teve filhos. Veio do Nordeste, onde nasceu, para trabalhar em fazendas do interior de São Paulo.

Mariana Canassa, psicóloga do abrigo que ele vive, diz que ele conta que nasceu em um quilombo, lugar de refúgio de escravos: “Ele diz que começou a trabalhar desde criança. Trabalhava com o cultivo de mandioca, milho, arroz d´água, isso são histórias que ele relata”.

O idoso chegou ao abrigo em 1973. Na época, ele não tinha nenhum documento. Anos mais tarde, por questões legais, ele precisou apresentar uma certidão de nascimento e, para a surpresa de todos, ele disse que tinha nascido em 1888.

A certidão foi tirada em um cartório de Bauru e traz a informação de que ele nasceu no dia 7 de julho de 1888, em Pedra Branca, no Ceará. Pela lei, basta ter duas testemunhas para que o cartório aceite a declaração como verdadeira.

Não existe nenhum exame que possa comprovar a idade real dele, já que os testes com carbono 14 só funcionam para fósseis e objetos arqueológicos com até 70 mil anos. Mesmo que tivesse, a direção do abrigo não iria recorrer à ciência, porque José não quer virar celebridade. “Ele mesmo pede. Ele não quer luz e nem muita gente, então pra conservar a tranqulidade dele, nós tomamos essa decisão”, explica Márcia Chelin, coordenadora técnica do abrigo.



Coromandel – trilha Morro da Cruz


Publicado em: 04/05/2015
 

Conheça a trilha do Morro da Cruz em Coromandel

 



Será que um dia viveremos debaixo da terra?


Publicado em: 02/05/2015
 

Em muitos aspectos, a casa da australiana Bernadette Roberts é exatamente como qualquer outra, com seus três quartos, sala, copa e cozinha. Mas não se trata de uma casa comum: Roberts vive debaixo da terra.

Ela é uma das moradoras de Coober Pedy, uma pequena cidade 846 quilômetros ao norte de Adelaide, no sul da Austrália. O lugar é famoso por duas coisas: suas minas de opala e seus “esconderijos” – casas subterrâneas escavadas nas pedras e que abrigam 80% da população local.

Coober Pedy é um lugar inóspito, onde a temperatura pode chegar a 50ºC. Há um século, mineradores que trabalhavam ali perceberam que o subsolo era muito mais fresco, e os moradores aderiram à ideia.

Mas enquanto o clima radical obrigou os habitantes de Coober Pedy a se mudarem para debaixo da terra, este não é o único lugar do mundo onde as autoridades estão procurando novos espaços urbanos sob nossos pés.

Com a expectativa de que dois terços da população mundial viva em cidades até 2050, terrenos urbanos devem se tornar um recurso cada vez mais limitado. E, por causa de restrições de espaço e outros fatores, muitas cidades não podem mais crescer para o alto nem para os lados.

Pensamos no caso de Cingapura, um dos países mais lotados do planeta. Sua população de quase 5,5 milhões de pessoas se espreme por um território de apenas 710 quilômetros quadrados.

Por isso, um dos planos atualmente sobre a mesa dos urbanistas locais é a Underground Science City (USC). Projetada para abrigar um instituto de pesquisas de 300 mil metros quadrados a uma profundidade entre 30 e 80 metros, a USC vai servir para dar apoio às indústrias biomédicas e bioquímicas, entre outras. Se sair do papel, terá capacidade para 4,2 mil trabalhadores.

Em outros casos, a terra é escassa por causa de questões de preservação do patrimônio. Na Cidade do México, por exemplo, existem restrições rígidas a construções no centro histórico.

Pensando nisso, a empresa BNKR Arquitectura desenhou uma gigantesca pirâmide invertida de 300 metros de profundidade, batizada de Earthscraper (“Arranha-terra”, em tradução literal). O prédio abrigaria 5 mil pessoas, com os andares recebendo luz natural através de um enorme teto de vidro, apesar de os andares inferiores precisarem de luz extra por fibra óptica.

O sócio fundador e presidente-executivo da BNKR, Estebán Suárez, espera que o Earthscraper inspire uma nova “espécie” de edifícios.

Enquanto isso, na China, a demanda por casas baratas em Pequim está obrigando as pessoas a se mudarem para o subsolo em condições muito menos glamourosas.

Annete Kim, diretora do Laboratório de Análise Espacial da Universidade de Southern California, passou quase um ano na capital chinesa estudando as condições de quem vive nas casas subterrâneas da cidade – um mix de antigos abrigos anti-aéreos e porões comuns reformados para servirem como quartos.

“Existe de tudo. Eu imaginava encontrar uma imundície horrorosa – e realmente existem lugares terríveis. Mas me surpreendi por também encontrar casas bem aprazíveis, condizentes com os padrões de Pequim”.

Segundo Kim, as estimativas oficiais dão conta de que entre 150 mil e 2 milhões de pessoas vivam no subsolo de Pequim.

Cerca de 1 mil quilômetros mais ao sul, perto de Xangai, empresários do setor imobiliário estão experimentando um uso totalmente diferente do espaço subterrâneo com o Shimao Wonderland Intercontinental – um hotel de 300 quartos que está sendo construído em uma pedreira de 90 metros de profundidade e em desuso.

 

Martin Jochman, diretor de design responsável pelo conceito do hotel, afirma que a maior dificuldade é seu formato “de cabeça para baixo”. “Coisas como água e esgoto têm que ser bombeados para cima, em vez de descerem, por exemplo”, afirma.

Mas o lugar tem suas vantagens. A topografia da pedreira cria um microclima que absorve o calor do verão e o libera lentamente como um radiador no inverno.

A temperatura também é um fator determinante em Helsínque, na Finlândia, onde as autoridades construíram 9 milhões de metros cúbicos de instalações sob a cidade, incluindo lojas, uma pista de corrida, um rinque de hóquei no gelo e uma piscina.

O gerente de design do projeto, Eija Kivilaakso, afirma que as condições climáticas no subsolo são em geral mais favoráveis do que ao ar livre, especialmente no inverno, quando a temperatura externa pode passar de -20ºC.

 

Mesmo sendo tecnicamente possível construir espaços de convívio subterrâneos, será que estamos dispostos a passar longos períodos no subsolo?

Para uma pequena parcela das pessoas, a simples ideia de estar debaixo da terra em um espaço confinado pode ser aterrorizante. Gunnar D. Jenssen, consultor em psicologia subterrânea e design espacial para a entidade de pesquisa escandinava SINTEF, descobriu que 3% das pessoas são extremamente claustrofóbicas.

Mas há maneiras de contornar esses medos. “Se você der a elas algo que pareça que estão em controle da situação, elas aceitam. Esse é o segredo. Transferir isso para a arquitetura é o trabalho que temos desenvolvido”, afirma.

Jenssen trabalhou em quatro dos mais longos túneis rodoviários do mundo. Para criar uma ilusão de espaço, ele instalou em cada um uma espécie de oásis bem iluminado, com palmeiras, e com uma imagem de céu ao longo da rota.

Mas será que viver sob a terra traria os efeitos negativos da falta de luz do sol?

Segundo Lawrence Palinkas, da Universidade de Southern Califórnia, a falta de luz solar pode prejudicar o sono, o humor e a função hormonal. “Mas uma exposição rotineira a uma luz clara que possa replicar as propriedades do sol pode ajudar as pessoas a viver sob a terra por mais tempo”, diz.

Espaços públicos primeiro

Em Coober Pedy, na Austrália, 80% da população já vive sob a terra

Portanto, em teoria, nós podemos morar no subsolo. Mas será que realmente vamos?

Annette Kim, que testemunhou os efeitos da alta demanda por casas em Pequim, acredita que sim. “Se continuarmos a ter essa urbanização rápida e pessoas querendo viver nas grandes cidades, vamos ter que usar essa saída”, afirma.

Segundo ela, tudo vai depender de como o espaço será usado: “Muitas dessas pessoas só vão para casa para dormir. Não para curtir o ‘lar, doce lar’. Para isso elas usam os espaços da superfície, para estarem no sol e ao ar livre”.

Li Huanqing, pesquisadora da Universidade Tecnológica de Nanyang e especialista em urbanização subterrânea, afirma que a maioria das cidades não está planejando casas subterrâneas, mas espaços multifuncionais que serão ocupados por centros comerciais e outros lugares públicos, livrando mais terrenos na superfície para casas, parques e centros de lazer.